Meu Partido é um Coração Partido

Eu sei lá o que está acontecendo nesse país. Estou no aguardo de quem me explique. Todos os dias eu chego tarde da faculdade e já vejo minha mãe pular do sofá pra vir me dizer o que aconteceu com o Lula, o Cunha, o Delcídio & cia. Nem sei mais quem é quem. Ouço os nomes sendo citados no finalzinho de jornal, enquanto estou na cozinha passando manteiga em um pão para comer, depois de um dia inteiro fora de casa, a mão tremendo de fome. Enquanto me movimento entre a geladeira e o fogão, ela vem me seguindo, contando as ultimas novidades, e são tantas que já desisti de acompanhar. Na terça ouvi algo sobre Lula ministro. Doideira, pensei. Achei que fosse história, mas era verdade.

E aí tem um juiz que já virou estampa de camisa de protesto. “Ele vai botar o Lula na cadeia”. Passo pela sala com meu sanduíche na mão e vejo na tv a exibição de uma conversa telefônica da presidente. “Ué, e pode?”. Situações extremas, medidas extremas. Todos vestidos de preto em um dia, no outro todos de vermelho. E eu estou de cinza, de verde musgo, a qual grupo pertenço?

Estou entre os desiludidos. Meus vizinhos batem panelas e gritam “fora PT”. Quero ir às ruas, mas não me contento com a saída de um grupo do poder. O que queremos mudar realmente? Me recuso a marchar ao lado de quem deseja o impeachment. É pensar pequeno, de nada adianta. O jornal parcial entra pelo horário da novela e eu, cansada, vou me deitar. Meus pais vão de um noticiário a outro. Ainda se empenham em compreender nossa situação. Aqui em casa todos votaram no PT. Sem adesivos no carro, não esperávamos grandes coisas, mas foi, ao nosso ver, a opção menos pior no segundo turno.

Permaneço sentada em cima do muro. À minha direita, um grupo que exige a punição e exclusão de alguns corruptos, enquanto aplaude outros tantos. À minha esquerda, um grupo que insiste em defender o indefensável.
Vejo meus amigos espumando de raiva, detrás das publicações agressivas do facebook. Entre uma publicação política e outra, as manchetes do Sensacionalista me levam às gargalhadas.

Nos tempos do colégio, sempre pensava em que droga de época que eu tinha nascido. Imaginava que os anos em que vivi seriam “pulados” nos assuntos dos livros de historia do futuro, pois não haveria nada muito significativo. De acordo com a realidade atual, acredito que não terei do que me queixar. Esperarei curiosa e ansiosamente para ver como os historiadores vão explicar essa bagunça para os adolescentes daqui a 40 anos.

Anúncios
Meu Partido é um Coração Partido

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s